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A bolinha amarela

por Moralez, em 09.06.17

Tudo começa com um rapaz qualquer, que se casa com uma mulher qualquer, vai morar em um lugar qualquer para viver uma vida qualquer. Eis que um dia, o casal tem um filho, o primeiro filho, o homem que o pai sempre sonhou. Muito feliz com o acontecimento, ele resolve dar uma festa e chamar todos os vizinhos para comemorar o seu nascimento.

Alguns anos se passaram e o filho fez dois anos, já sabia falar e era motivo de orgulho do pai. No dia do seu aniversário, o pai resolveu perguntar ao seu filho o que ele queria de presente.

 - Meu filho, diz ao teu pai aqui o que queres de prenda aniversário, um carrinho, um boneco?

- Pai, eu quero uma bolinha amarela.

- Mas filho isso não é uma prenda muito pequena? Para quê que queres uma bolinha amarela?

- Eu quero pai!

 O pai não concordou com o que o filho queria e decidiu-lhe dar um carrinho.

Quatro anos passaram e o filho tinha entretanto entrou para a escola e o pai babado resolveu dar um presente ao filho para assinalar a ocasião.

 - Filho, como entraste na escolinha, o papá vai dar-te um grande presente, o que queres receber?

- Pai, eu quero uma bolinha amarela.

- Mas filho, novamente essa história? Para quê que queres uma bolinha amarela?

- Eu quero pai!

O filho não respondia e o pai contrariava, sempre dava um presente diferente do que o seu filho queria.

O tempo voou e se passaram doze anos, o filho já tinha entrado na faculdade e calouro que é calouro é o orgulho a toda a família. Mais uma vez, o pai queria dar um presente ao filho pelo feito.

 - Meu filho, agora que entraste na faculdade, precisas de uma grande recompensa pelos teus estudos, vais querer um carro de presente não é?

- Pai, eu quero uma bolinha amarela.

- Filho esquece a bolinha amarela, estás grande demais para isso! Responde-me, para quê que queres uma bolinha amarela?

- Eu quero pai!

 O pai, muito irritado, não aceitava de forma nenhuma essa teimosia do filho em querer uma bolinha amarela e ofereceu-lhe o carro. Um ano depois, o filho sofre um acidente de carro e fica em estado terminal, sem possibilidade de recuperação. 

A família, muito triste, comparece aos últimos momentos dele no hospital. Como último desejo, o filho pede que chamem o pai para terem uma conversa a sós.

 - Pai quero dizer-te que te dececionei várias vezes, mas que me arrependo muito disso, perdoas-me?

 O pai, muito emocionado, responde:

 - Claro que sim meu filho, não há nada a perdoar, mas como última pergunta, porque é que me pedias sempre uma bolinha amarela no aniversário e quando te dava presentes?

 O filho, nos seus últimos momentos de vida, resolve responder...

 - Pai, nunca te contei por vergonha, mas sempre quis uma bolinha amarela porque...

Subitamente, o filho sofre uma paragem cardíaca e morre.

 

So long bolinha amarela!

 

 

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